Rua Pedro Jaccobucci, 400 . São Bernado do Campo - SP (011) 4330-6166 (011) 99348-2972 administracao@apmsbc.org.br

Luiz Henrique Mandetta debate ideias para o Ministério da Saúde

​O novo ministro da Saúde, Luiz Henrique Mandetta, realizou encontro com os médicos paulistas nesta quinta-feira (13), na FMUSP.

Sexta, 14 de dezembro de 2018


O novo ministro da Saúde, Luiz Henrique Mandetta – que tomará posse em 1º de janeiro de 2019, junto ao presidente eleito Jair Bolsonaro -, realizou encontro com os médicos paulistas nesta quinta-feira (13), na Faculdade de Medicina da Universidade de São Paulo, para discutir ideias e posições para a pasta.

“Quando aprendemos alguma coisa em uma reunião, isso ocorre nas primeiras palavras, e as suas foram impressionantes. Você disse ‘Não voltaremos atrás, temos uma Constituição a defender, que diz que a Saúde é um direito de todos e dever do Estado’. E nós o seguiremos. A segunda questão é que certamente nós divergiremos ao longo do tempo, mas eu não tenho a menor dúvida que será fácil superar qualquer divergência, porque também entre suas primeiras palavras você disse que nós trabalharemos sobre um trilho de princípios e valores. E nos princípios e valores que nós compartilhamos não há divergência. Tenha-nos sempre ao seu lado”, resumiu o presidente da Associação Paulista de Medicina, José Luiz Gomes do Amaral.

“A Associação Paulista de Medicina merece um capítulo à parte. Agora na época de indicação pro Ministério da Saúde, sem eu pedir nem falar nada, a APM se posicionou em meu favor, o que foi fundamental para reestabelecer a ordem e garantir o apoio das sociedades de especialidades. A verdade ficou muito evidente no processo. Obrigado por sempre terem me ajudado”, declarou Mandetta.

Além de Amaral, participaram do encontro alguns diretores da APM: Akira Ishida (vice-presidente), Florisval Meinão (Administrativo), Álvaro Atallah (Científico), Marun David Cury e João Sobreira de Moura Neto (Defesa Profissional), Lacildes Rovella (Patrimônio e Finanças) e Antonio Carlos Endrigo (TI).

PRIORIDADES DO MINISTÉRIO A atenção básica será o nosso foco. Que de básica não tem nada, é muito mais complexo você interferir nos ciclos das determinantes sociais de saúde e das pessoas do que fazer uma cirurgia de três, quatro horas, mas que dependeu só do meu tratamento. Ela deveria ser atenção complexa e a outra deveria ser atenção básica. Vocês serão muito demandados, porque não consigo entender o Ministério da Saúde sem dialogar com os setores, até concordo que não se pode fazer Saúde só com o médico, mas sem ele também não dá. Vocês todos aqui são conhecedores e têm muita capacidade.

DEFESA DO SUS Eu vejo gente falando que não quer o Sistema Único de Saúde, que ele tem que acabar. Então, convoquem nova Assembleia Nacional Constituinte, mostrem outro caminho, convençam mais de 308 pares e escrevam na Constituição o que acham. Essa Constituição, que a gente jurou defender, vamos defender até a última gota. Eu vou lutar pelo SUS, vou ser o ministro da atenção básica. É inadmissível a sífilis estar no número que está; não dá para a gente achar que é legal fechar leito hospitalar; não dá para São Paulo reintroduzir a febre amarela, é horrível morrer gente, com a vacina aqui, nosso índice de vacinação caindo ano após ano. Alguém previu a epidemia de crack?

FINANCIAMENTO E GESTÃO No setor público, todos estão falando de governança, que significa “vamos andar na linha”. Eu acho que tem muito recurso no sistema mal gerido, que não chega na ponta. Cada centavo do que a gente economizar vai ser colocado na assistência. Não adianta achar que vai cair do céu, o dinheiro é esse mesmo, nós vamos ter que investir muito em gestão. Tem muito ralo, desperdício, dinheiro sendo gasto desnecessariamente. Estou convidando pessoas somente pelo critério técnico, o presidente me pediu para montar a equipe e me disse que vai cobrar de mim, e que nunca vou poder ter a desculpa de que ele indicou o diretor disso ou daquilo. Olha que oportunidade ímpar a gente está tendo.

UNIÃO Nós somos um setor com uma mega força política. Quando a classe política perceber que temos uma unidade, entre a indústria, a rede hospitalar, as academias e as profissões - biólogos, médicos, enfermeiros, administradores hospitalares etc. -, que temos um ponto convergente chamado SUS, pode ter certeza que a gente vai mudar financiamento, vai colocar na pauta com grau de importância política. Nós somos fragmentados, cada um cuidando do seu mundinho, do seu feudo. Façam o máximo possível de força de unidade, convergente, que todos saibam onde a gente quer chegar. E aí não vai depender de ministro, não vai depender de nada.

ABERTURA DE ESCOLAS MÉDICAS Nós vamos formar, só no Brasil, 35 mil médicos por ano, 350 mil por década, e como a vida útil desse profissional é de quatro décadas, vamos estatizar em 1,5 milhão de médicos. Então, se vocês considerarem a média de pedido de quatro exames por médico por consulta, preparem-se para um sistema que vai ter que racionalizar ou vai entrar em colapso.

FACULDADES NAS FRONTEIRAS Na divisa de Ponta Porã (MS) com o Paraguai tem uma cidade que se chama Pedro Juan Caballero, que tem nove faculdades de Medicina, todas abertas nos últimos cinco anos. Se você for pra Foz do Iguaçu (PR), do outro lado da ponte tem Ciudad del Este, também no Paraguai, com 19 faculdades de Medicina. Nós temos algo na Bolívia na divisa com o Acre, na divisa com Rondônia, na divisa com Mato Grosso, com Mato Grosso do Sul, então somando tudo, nós temos algo em torno de 100 a 120 mil brasileiros formados ou formandos, somente nesses dois países, Paraguai e Bolívia.

MAIS MÉDICOS Quando fizeram a lei do Mais Médicos, estabeleceram que primeiro iriam os brasileiros, com CRM daqui, depois os brasileiros formados no exterior - mas somente em países cuja relação médico por habitante fosse superior a 1.6 ou 1.8, porque com isso excluía os formados no Paraguai e na Bolívia -, e em terceiro os médicos estrangeiros, daí caía em Cuba. Mas agora não, com essa abertura absurda de faculdades de Medicina nas fronteiras, Paraguai e Bolívia já ultrapassam a marca e são elegíveis.

“Não consigo imaginar que alguém considere que exista algum êxito num programa como o Mais Médicos. Teria sido um programa equivocado se não fosse mal-intencionado, criminoso. Ele desestruturou o ensino da Medicina e a Saúde. O problema dos cubanos é grave, mas é menor. Vai ser muito difícil reconstruir o ambiente com as mais de 300 faculdades de Medicina que temos. Neste sentido, a Associação Paulista de Medicina vai oferecer apoio técnico-científico a todos os profissionais do Mais Médicos, junto às sociedades de especialidades. Desta forma, esperamos contribuir com o vosso imenso trabalho de reconstruir a assistência à saúde no Brasil”, finalizou o presidente da APM.

Por: APM

 

Voltar